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9 de abril de 2012

Texto descritivo: A Última Casa

No final da rua de chão surrado pela água do oceano, se esconde a mais bela construção do homem. A simplicidade de sua cor verde recém retocada por velhos marceneiros, resguarda uma pequena moradia de pescadores.
A sua varanda de entrada ainda conserva o chão limpo da última grande faxina.
O pequeno portão localizado ao fundo da construção já mostra cicatrizes de seu centenário de existência. Há cada nova batida causada pelo vento trazido das ondas, abre-se um pequeno ferimento na tinta branca.
Para quem a vê de frente, o telhado pintado de vermelho chamativo causa imenso contraste com o azul do Pacífico. O barco movido pelo vento deixa o cenário ainda mais inusitado.
Rodeada por coqueiros e rochas negras, a casa se deixa transparecer ao pôr do sol, que revela uma velha estofaria à direita do quarto principal.
Duas cadeiras, já com enormes rasgos nas escorras dão ao visitante a oportunidade de se sentir em casa.
Sem nunca ter tido a oportunidade de ser iluminada por energia elétrica, a casa tem o prazer de receber a luz branca da lua com o início da madrugada.
No mar as ondas se chocam, no pequeno matagal os grilos cantam, no rochedo uma pedra rola... E essa se torna a melodia que embala o reflexo da pequena casa dançando sobre as ondas nervosas do Pacífico.

3 de abril de 2012

Contente-se

A vida... ah, a vida é linda, tão linda quanto uma árvore de outono e uma flor de primavera, tão linda quanto uma maré de verão e uma chuva de inverno. No dia em que você acordar e estar plenamente feliz, você verá que o que eu falo é verdade. Tamanha verdade que passa por mentes desacreditadas como um borrão imperceptível.
Agora, o porém, o porém que faz toda história digna de um romance de Nicholas Sparks desmoronar. Esse porém que respira o que os céticos expiram.
Ninguém nunca será plenamente feliz. E não porque a sua vida não está perfeita e sim pela imperfeição que você sempre procurará e, muito obviamente, achará.
A felicidade nunca foi encontrada e nunca será encontrada em sua forma mais pura, porque ninguém nunca provou dela.
Acostume-se a não precisar de tudo. Faça de seu tudo o menor possível. Quem nunca quis, nunca sentirá falta.
É por isso que o planeta não cria mais pessoas sensíveis e sim máquinas.
Enquanto Caio Fernando de Abreu diz que você pode ser feliz, tem alguém roubando seu emprego.
"A infelicidade é o sintoma da felicidade".
As pessoas só acreditam no que sentem. A felicidade não fará diferença se você não souber o que é infelicidade.

9 de fevereiro de 2012

Texto: Refúgio Passado


Enquanto o sol nos mantém trancados em um esconderijo humano, eu não direi nada, nem sequer olharei para o rosto dela.Você quer saber o motivo e eu só quero esquecê-la, mas como irei fazer isso se aqueles olhos me seguem para qualquer canto que eu vá.
Jurei não viver se ela não estivesse ao meu lado enquanto ela dizia que queria outra pessoa e que qualquer fosse a minha vontade de tê-la junto a mim, não era suficiente.
Sim, ela disse que o meu amor incondicional não era o suficiente.
Hoje estamos debaixo do mesmo telhado, protegidos pelo mesmo escudo e tendo só um corredor de luz e calor entre nós.
Assim ficaremos pela eternidade, nós, o silêncio e as lembranças. E nada poderá mudar isso.
Autora: Luna Batista

Texto: Remotos Mas Não Sós

O parque em frente à minha casa sempre foi o nosso lugar, um retiro perfeito para quem quer se esconder das buzinas da cidade. Mas hoje não seria assim, você decidiu mudar, não percebendo que aquele poderia ser o fim de uma era.
Você quis mudar, surpreender-me.
Eu ainda não sei porque você quis surpreender-me se nós estávamos tão bem sentados naquele parque. Você estourou a bolha que mantinha o nosso amor intacto. Sem pressão, sem olhares desconfiados, sem vergonha, sem nada que nos atrapalha-se.
Ao estourar essa bolha você não quebrou só o silêncio, você quebrou também o meu coração.
Depois de acusar aquele parque de ser uma fraude, de nós sermos uma fraude, você disse que não havia motivos para nós ficarmos juntos.
Se o meu amor não era motivo, você deveria ter me dito antes de se entregar para mim naquele mesmo parque que você resolveu esquecer.
Eu não queria nada além de encontros embaixo de velhas árvores, no início você também se contentava com isso, mas aí você sugeriu deixar o mundo saber sobre nós. Um mundo sujo, injusto e autoritário.
Eu odeio você por ter tido essa ideia, mas odeio a mim mesmo muito mais por ter aceitado destruir a nossa história.
Autor: Desconhecido

21 de janeiro de 2012

Texto: O dia de hoje

Na mesa ao canto do café mais empoeirado, conto as gotas que escorrem sem parar pela parede.
Ao meu lado existe uma grande e frágil porta de vidro. De alguma forma, naquele momento, ela é a coisa mais familiar que eu tenho perto de mim. As coisas que temos em comum, o modo como ela é pura e transparente me revertem a um passado de angústias. Quando qualquer um entrava na minha vida sem dó de bater a porta na hora de sair.
O cheiro de tempestade atravessa os quatros cantos do café deixando por onde passa um ar contaminado de esperança e nostalgia. 
Um dia sem falsidade, sem o sol dando boas-vindas quando ele só quer se esconder atrás de qualquer montanha que sustente a sua imensidão e o seu esplendor.
Na minha cabeça passa tudo e não passa nada ao mesmo tempo. Tenho um monte de imagens, mas como montar um imenso quebra-cabeça com peças sem foque?
O barulho do café derramado de uma chaleira velha se faz ao mesmo tempo que a porta de entrada do café se abre. A fumaça do líquido preto dentro da xícara esconde a verdadeira pessoa que a bebe. Talvez o que atraia mais nessa bebida não seja a forma inacreditável que ela te deixa sem dormir três dias seguidos e sim a forma com que ela pode esconder histórias inacreditáveis de um jeito único.
A menina que acabou de entrar deixando o ar mais vivo se torna de repente uma pessoa quieta e entretida apenas em seu celular e em sua xícara de café com adoçante.
A tempestade pode trazer uma pessoa e o café pode transformá-la em algo totalmente diferente.
Volto a minha atenção para a brisa vinda de algum vento perdido no meio de tanta água. Ela me ampara e me faz ir, ir e ir, sem importar a distância, eu apenas vou flutuando seguindo seus caminhos...
Assim que a vida acaba para mim, em um dia de chuva, vento, trovões e relâmpagos. Assim que a vida devia acabar para todos.
No final o que importa não são as horas e sim o tempo que a próxima nuvem carregada pousará sobre as nossas cabeças. Os dias não deviam ser contados com o girar de um relógio e sim com o começar e o parar de uma imensa tempestade.
Memórias De Um Dia Que Ficou Marcado